24 de julho de 2016

Sapatos Vermelhos II

A Preservação do Self
A Preservação da Alma
* Texto produzido para o módulo de ICH - Interação Cultural e Humanística da UFPR. 

(A identificação de armadilhas, arapucas e iscas envenenadas)

Por Nayre Fernandes Martins - em 25.06.2014

Este capítulo do livro “Mulheres que Correm Com os Lobos” trata de um tema profundo que aborda principalmente a preservação do Selvagem Feminino e de sua natureza sensível de poder pessoal diante da sedução constante de um mundo afetado por uma necessidade de pertencimento a um sistema coletivo que não é nada saudável para o equilíbrio psíquico e a alegria natural da mulher.
Ao longo dos séculos, as mulheres foram suprimidas em seu direito de serem elas mesmas. O mundo patriarcal organizou-se de tal forma que até as outras mulheres se tornaram delatoras de suas amigas. E sejam elas, solteiras, homossexuais convictas, mães independentes ou mulheres devidamente casadas com quem elas escolheram... Não importa. Todas essas mulheres nasceram com seus instintos de sabedoria corporais inatos intactos, porém, desde o advento gradual da supremacia masculina, têm-se tentado de todas as formas produzir-se regras de conduta coletiva no que se refere a vida da mulher. Ser uma mulher diferente das demais, até os dias de hoje pode significar o exílio e isolamento social. Muitas vezes, uma mulher que se vê rejeitada socialmente - por não se comportar de maneira idêntica a qualquer padrão estabelecido - tem a tendência de assumir uma postura fragilizada de ter de agradar a todos, abandonando assim o que há de mais precioso em si mesma – a sua identidade pessoal, o seu talento único, a sua arte, a sua produção autêntica que contribuiria muito mais para sua evolução e realização como ser inteiro e consequentemente das outras mulheres e até do mundo.
Manter os instintos da mulher sob controle através de imposições de medos ou padrões pouco saudáveis é bem conveniente para quem quer domesticá-la e escravizá-la, torná-la um ser dócil e sem opinião. Uma mulher que simplesmente obedece quem quer que queira, e assim possa, dela tirar proveito.
A mulher isolada socialmente torna-se então uma mulher triste e com fome de alma (hambre del alma). Desta forma, alteraram-se seus ciclos naturais mais sagrados, como se a trancassem numa caixa sem janelas, onde ela não poderá mais comungar com os outros elementos, sentir o sol, a alegria do canto dos pássaros e nem o vento beijando seus cabelos. Depois de um tempo razoável sendo privada de sua própria vida, ela se torna tão faminta de qualquer coisa que a tire desse jejum, se torna tão carente de alguma experiência que proporcione qualquer tipo de sensação, que ela se torna uma presa fácil para predadores externos. A mulher nessa condição faminta, para compensar esses períodos de isolamento, pode passar a arriscar a própria vida ao se esforçar em busca de locais, pessoas e coisas que não seriam nem um pouco benéficas para ela. E por que a mulher selvagem faria isso? Somente porque o seu instinto sofreu uma mutilação, um aprisionamento, uma tentativa de domesticação, uma alteração e ela então perde a acuidade, o faro, a percepção do que é perigoso e prejudicial, caindo então em inúmeras armadilhas; a primeira delas é fazer qualquer coisa para sair da condição monótona e depreciativa imposta por uma sociedade medrosa e preconceituosa. E ao se deixar levar pela sedução diabólica de um mundo de prazeres vulgares ela se perde num torvelinho de excessos ao se permitir ingerir qualquer veneno achando que este seria o alimento para sua alma faminta. A partir disso ela já foi fisgada, desde quando renunciou a sua alegria pura, ao prazer natural em alcançar a realização de algo realmente muito desejado e pelo qual ela se esforçou e se dedicou muito. Sendo assim, quando a mulher selvagem passa a viver como prisioneira em um mundo coletivo com um sistema de valores tão desprovido de vida, ela fica desesperada ao perceber que está perdendo completamente o vínculo com a sua Alma. E se, então por um descuido seu, ela recuar diante do coletivo cedendo às pressões e se conformando de forma irracional com tudo isso, ela pode até estar protegida do isolamento que tanto teme, mas estará mais ainda, traindo sua própria Natureza, sua felicidade, e colocando em risco sua própria vida ao entregar-se na mão do carrasco invisível. Ela precisa sim, é observar o movimento interno de seu ser diante das propostas tentadoras do mundo e reassumir seu poder diante de escolhas que não lhe tirem o direito de se sentir feliz a partir do que para ela tem valor intrínseco, como escolher amigos e grupos sociais que respeitem – e estimulem - sua natureza criativa, em vez de se entregar a qualquer custo só porque os sapatos vermelhos da vitrine lhe parecem mais reluzentes do que aqueles que ela confeccionou com suas próprias mãos. Não importa em que estágio você parou no seu projeto pessoal que tanto a deixa feliz... Continue nele! Aperfeiçoe suas técnicas, dê um acabamento melhor ao seu tão Sagrado estilo – Esta é você! Você se realizando como Ser completo que é. Não se deixe vender barato e nem deixe que qualquer botequim a seduza a cantar por uma garrafa de gim.

Portanto... Deixe os sapatos vermelhos das paixões mortais no lugar deles. Não os enalteça mais do que eles realmente valem pois o valor que você equivocadamente possa dar às coisas vulgares é o alimento que as transformará no monstro que não terá piedade na hora de te destruir por completo.

Siga o caminho que sua Natureza Selvagem e Pura Acredita!

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9 de julho de 2016

Cientistas revelam: DNA possui funções mediúnicas: telepatia, irradiação e contato interdimensional



“Nosso DNA é um biocomputador”, dizem cientistas russos.

Pesquisas científicas estão explicando os fenômenos como a clarividência, a intuição, atos espontâneos de cura e autocura e outros.

Quando os cientistas começaram a desvendar o mundo da genética, compreenderam a utilidade de apenas 10% do nosso DNA.

O restante (90%) foi considerado “DNA LIXO”, ou seja: sem função alguma para o corpo humano.

Porém, este fato foi motivo de questionamentos, pois alguns cientistas não acreditaram que o corpo físico traria algum elemento que não tivesse alguma utilidade.

E foi assim que o biofísico russo e biólogo molecular Pjotr Garjajev e seus colegas iniciaram pesquisas com equipamentos “de ponta”, com a finalidade de investigar os 90% do DNA não compreendido.

E os resultados apresentados são fantásticos, atingindo aspectos antes considerados “esotéricos” do nosso DNA.

O QUE AS PESQUISAS ESTÃO CONCLUINDO?

1. O DNA tem capacidade telepática

A partir das últimas pesquisas, cientistas concluíram que o nosso DNA é receptor e transmissor de informações além do tempo-espaço.

Segundo essas pesquisas, o nosso DNA gera padrões que atuam no vácuo, produzindo os chamados “buracos de minhoca” magnetizados! São “buracos de minhocas” microscópicos, semelhantes aos “buracos de minhocas” percebidos no Universo.

Sabe-se que “buracos de minhocas” são como pontes ou túneis de conexões entre áreas totalmente diferentes no universo, através das quais a informação é transmitida fora do espaço e do tempo.

Isto significa que o DNA atrai informação e as passa para as células e para a consciência, uma função que os cientistas estão considerando como a internet do corpo físico, porém muito mais avançada que a internet que entra em nossos computadores.

Esta descoberta leva a crer que o DNA possui algo que se pode chamar de telepatia interespacial e interdimensional. Em outras palavras, O DNA está aberto á comunicações e mostra-se suscetível a elas.

Pesquisas relacionadas à recepção e transmissão de informações através do DNA estão explicando os fenômenos como a clarividência, a intuição, atos espontâneos de cura e autocura e outros.

2. Reprogramação do DNA através da mente e das palavras

O grupo de Garjajev descobriu também que o DNA possui uma linguagem própria, contendo uma espécie de sintaxe gramatical, semelhante á gramática da linguagem humana, levando-os a concluir que o DNA é influenciável por palavras emitidas pela mente e pela voz, confirmando a eficácia das técnicas de afirmação, de hipnose (ou auto hipnose) e de visualizações positivas.

Esta foi uma descoberta impressionante, pois diz que se nós adequarmos as frequências da nossa linguagem verbal e das imagens geradas por nosso pensamento, o DNA se reprogramará, aceitando uma nova ordem e uma nova regra, a partir da ideia que está sendo transmitida.

O DNA, neste caso, recebe a informação das palavras e das imagens do pensamento e as transmite para todas as células e moléculas do corpo, que passam a ser comandadas segundo o novo padrão emitido pelo DNA.

Os cientistas russos estão sendo capazes de reprogramar o DNA em organismos vivos, usando as frequências de ressonância de DNA corretas e estão obtendo resultados bastante positivos, especialmente na regeneração do DNA danificado!

Utilizam para isso a Luz Laser codificada como a linguagem humana para transmitir informações saudáveis ao DNA e essa técnica já está sendo aplicada em alguns hospitais universitários europeus, com sucesso em vários tipos de câncer de pele. O câncer é curado, sem cicatrizes remanescentes.

3. O DNA responde á interferências da Luz Laser

Continuando nessa linha de pesquisas, o pesquisador russo Dr. Vladimir Poponin, colocou o DNA em um tubo e enviou feixes de Luz Laser através dele. Quando o DNA foi removido do tubo, a Luz Laser continuou a espiralar no DNA, formando como que pequenos chacras e um novo campo magnético ao redor do mesmo, maior e mais iluminado que o anterior.

O DNA mostrou-se agir como um cristal quando faz a refração da Luz, concluindo que o DNA irradia a Luz que recebe.

Esta descoberta levou os cientistas a uma maior compreensão sobre os campos eletromagnéticos ao redor das pessoas, assim como também compreenderam que as irradiações emitidas por curadores e sensitivos acontecem segundo esse mesmo padrão: receber e irradiar, aumentando e preenchendo com Luz o campo eletromagnético ao redor.

Assuma o Comando do seu Ser!

As pesquisas estão ainda em fases iniciais, e os cientistas acreditam que ainda vão descobrir muitas outras coisas interessantes!

Por enquanto, as conclusões nos estimulam a continuarmos com as técnicas de afirmações positivas, cuidando dos nossos pensamentos e das imagens por ele geradas, a fim de que as transmissões sejam correspondentes a saúde, ao bem estar e a harmonia, enviadas não apenas ao DNA como também para todo o corpo!

Tenho certeza de que o nosso DNA agradece por suas informações positivas transmitidas a ele!

Que tal melhorar as suas transmissões verbais e mentais?

Comunique-se positivamente com seu corpo e reprograme seu DNA!

Tania Resende

Nota:
Todas as informações do texto acima estão contidas no livro “Vernetzte Intelligenz” von Grazyna Fosar und Franz Bludorf, ISBN 3930243237, resumidos e comentados por Baerbel.


7 de maio de 2016

Plante sua Lua



 Segundo Elinor Gadon "A palavra Ritual vem do termo sânscrito RTU, que significa menstruação. Os primeiros rituais estavam relacionados ao sangramento das mulheres. Acreditava-se que o sangue no útero, que nutria as crianças ainda por nascer, possuísse Mana, o poder mágico".
       Nas tradições matriarcais originárias, as mulheres ofereciam ritualmente seu sangue menstrual para a Terra. Hoje em dia perdemos de muitas maneiras o nosso relacionamento instintivo com Pachamama e em consequência disto, estamos cheias de inseguranças, arraigadas em padrões de medo, ansiedade e escassez.
Saiba que a Terra- como Gaia, como a Grande Mãe; é capaz de nos ensinar sobre a sabedoria mais profunda, atemporal e arquetípica do Feminino Sagrado. Saiba mulher, que ela está apenas lhe esperando, para que você finalmente se abra para o despertar das memórias e saberes dormentes em seu útero. Não espere mais, este é o momento de voltar para casa!
       "Plantar a sua Lua" é um exercício muito simples, porém pode ser extremamente poderoso, curador e profundo a todas as mulheres.
       Para começar, você deve escolher uma forma de recolher o seu sangue. Isso pode ser feito através de coletores menstruais ou através de bioabsorventes.
       Os coletores são práticos, confortáveis e eficientes, porém muitas mulheres mais sensíveis não se adaptam bem, por serem inorgânicos. Os bioabsorvente são feitos de algodão; são também seguros, higiênicos e ecológicos.  
       Para coletar seu sangue utilizando bioabsorventes, é necessário deixá-los de molho por algumas horas na água, sem nenhum produto químico. É esta água com o sangue que você irá utilizar para entregar à Terra (depois de coletado o seu sangue você poderá lavar o absorvente da forma como preferir, e reutilizá-lo).
       Em ambos os casos, você pode entregar seu sangue para terra em um jardim ou em um simples vasinho de planta em seu apartamento. Você pode também escolher alguma planta específica que tenha um significado especial para você: Muitas mulheres plantam sua lua em Roseiras, Sálvia ou Artemísia por exemplo; que são plantas de forte representação do feminino. Você nem imagina o bem que seu sangue irá fazer às suas plantas; este é sem dúvida o melhor biofertilizante que poderia existir!
       É interessante experimentar também sangrar direto na Terra, deixando que o sangue escorra livremente enquanto sentada direto sobre a Terra (você pode fazer isso em vaso grande caso não tenhas um jardim). O poder desta conexão criada com a Terra vai além de explicações verbais; é necessário experienciar e sentir por si o que isso representa!
       A ideia é que você ofereça seu sangue em forma de um simbólico ritual, tornando o momento sacro e reafirmando suas intenções.
      Recorde-se que este sangue purifica o seu organismo, as suas emoções, sua mente, seu espírito; recorde-se que ela leva junto dele tudo aquilo que você precisa e desejar curar. Recorde-se mulher, que a Terra pode a tudo transmutar, inclusive sua vida!
       Durante sua lunação, pare por alguns instantes, se retire, entre em um estado de silêncio e quietude... avaliando internamente o ciclo que passou. Perceba os padrões negativos, as crenças limitantes, os hábitos que não lhe servem mais e tudo aquilo que se encontra estagnado em sua vida. Dê uma atenção cuidadosa ao que veio à tona na última fase de seu ciclo, durante a famosa TPM (prefiro chamar de força pré-menstrual); quando as nossas sombras mais profundas emergem à superfície para que se possamos entrar em contato e nos tornarmos mais conscientes de nós mesmas.
       Observando estes padrões com carinho e compaixão, entregue tudo aquilo que você não quer mais levar contigo ao novo ciclo que se inicia; deixando para trás qualquer padrão negativo que esteja te limitando em ser quem você realmente é em todo seu potencial- excesso de controle, falta de confiança em si mesma, dificuldade em se comunicar, medo de se expressar, sentimentos de escassez, intolerância, inércia... o que quer que seja, lembre-se que tudo ao nosso redor e todos, são apenas espelhos refletindo nossa realidade interna. Lembre-se que a mudança começa SEMPRE dentro. 
       Muitos desequilíbrios físicos podem ser evitados e sanados através desta prática: ovário policístico, miomas, ciclo menstrual irregular, cólicas e desconfortos da menstruação, infertilidade, tensão pré-menstrual, etc. Plantar sua lua é com certeza o primeiro passo para a reequilibração de seu corpo físico; não descartando outras formas de tratamento e cuidados. 
       Entregue também junto ao seu sangue todas as impressões negativas que você ainda carrega a respeito de ser mulher... e junto com elas, suas memórias de abortos, traumas, abusos, violência ou maus tratos contra o seu feminino.
       Enquanto você oferece seu sangue receba da Mãe Terra as suas bênçãos e os seus saberes! Nutra a Terra enquanto nutre a tudo aquilo você merece e almeja; agradeça e se prepare para uma vida de muito mais abundância, empoderamento, beleza e plenitude.
       Enquanto oferece seu sangue, sinta como você cresce internamente como mulher, aumentando seu poder visionário, intuitivo e instintivo; perceba como a cada ciclo uma nova realidade se abre para a manifestação um espaço interno de presença, saúde, consciência e conexão- sobre si mesma, sobre sua vida e seu destino.
       Existe uma antiga sabedoria que profetiza que o momento em que todas as mulheres devolverem o seu sangue à Terra, todas as guerras terão fim... A cura esta aí mulher, bem abaixo de seus pés... Honre, agradeça, e seja bem vinda ao lar!
Este foi um dos 29 textos que serão publicados sequencialmente pelo projeto #ODiarioDaLuaVermelha . Para acompanhar, curta a página da DanzaMedicina e seja bem vinda! 
Todos os textos autorais por Morena Cardoso: Terapeuta corporal, mãe, escritora, buscadora; criadora e facilitadora da técnica "DanzaMedicina- Incorpore os Sagrados Saberes Femininos"

19 de março de 2016

Afetos (bio)Políticos - Ódio

- por Rafael Lauro
Espinosa fez uma das grandes perguntas da filosofia: o que pode o corpo? E não é à toa que hoje o holandês é estudado no campo da Filosofia, Ciência, Política e Psicologia. Falamos demais da alma, mas esquecemos de perguntar e entender o que é um corpo e de que maneiras ele é capaz de ser, estar, agir.
Podemos dizer que poucos conceitos são potentes como os afetos de Espinosa. Eles abrem um enorme campo de análise para melhor nos relacionarmos com a vida. Não é apenas filosofia de gabinete, Espinosa está nas ruas, no dia a dia, na política, nas relações.  Através do conhecimento – o mais potente dos afetos – passamos a identificar com certa clareza quais são os afetos que  regem a nossa vida. Podemos entender melhor o funcionamento deste circuito dos afetos, o modo pelo qual um sentimento, um corpo, uma biologia, se torna inseparável da política.
O ódio é uma tristeza acompanhada da ideia de uma causa exterior” – Espinosa, Ética, parte III, definição dos afetos
Recentes fatos da política brasileira nos remetem imediatamente ao ódio. Por todos os lados, estamos cercados de bocas espumantes, veias saltadas e olhos fulminantes. As televisões não desligam, as rádios tagarelam impropérios, está na boca do povo: “Canalha, pulha, ladrão, vagabundo, corrupto, vigarista, cafajeste, patife”. Quais são as consequências de ter no ódio o afeto (bio)político fundamental?
A simplicidade de um afeto torna-se complexa conforme vai se espalhando. Uma pessoa nos causa tristeza e reagimos odiando aquela pessoa. Deixamos de lado todas as circunstâncias daquela afecção e ligamos a tristeza causada àquela pessoa, objeto ou fato. O ódio está ligado à tristeza, e quando ficamos tristes, a nossa capacidade de pensar diminui.
Tristes, temos cada vez mais ideias inadequadas. Quanto mais entristecidos nos tornamos, mais confusos se tornam os afetos. E assim passamos a odiar a chuva por que ela alaga as nossas ruas entupidas de cimento. Passamos a odiar nossos amigos quando estes não dizem aquilo que queremos ouvir. Passamos a odiar, em suma, tudo aquilo que não toma nosso partido. O ódio liga, faz a ponte entre o estado do meu corpo e o corpo exterior que me afetou. Ele não fala da relação, ele diz apenas do estado do meu corpo e procura uma causa.
Não há falta, o corpo sempre é preenchido por afecções, seja de tristeza ou de alegria! O que pode o ódio? Do que este afeto é capaz? Somos odiosos demais! Ligamos prontamente a tristeza a uma causa. Tão ingênuos. Como  saber as causas com tanta frequência? Muito mais frequente é estarmos perdidos, cansados ou distraídos. Tristes, só sabemos nos mover contra aquilo que odiamos. Ignoramos os conselhos de Zaratustra sobre a honra de se ter um inimigo. Abrimos a boca por pouca bobagem para cuspir mesmo que seja contra o vento. Manifestamo-nos pelo nada, mas contra tudo! Elegemos vilões sem heróis, pois não temos força para assumir a responsabilidade por nossas dores. Dividimos, separamos, excluímos, recortamos a realidade para o nosso mimo. Mia Couto escreveu sobre o mundo de quem tem medo, um mundo pequeno, cercado, em que nada fuja ao controle. O mundo de quem tem ódio é um mundo monocromático. Só há uma cor e oposto dela. Preto e branco; ou vermelho e azul.
Como nos movemos por este campo de afetos? “Quando a mente imagina aquelas coisas que diminuem ou refreiam a potência de agir do corpo, ela se esforça, tanto quanto pode, por se recordar de coisas que excluam a existência das primeiras” (Ética III, prop 13). Tornamo-nos saudosistas ou utópicos! “Amanhã ele vai ver! Ele me paga”, ou então “no meu tempo era diferente, antigamente não era assim!”. Ou pior: “Quem imagina que aquilo que odeia é afetado de tristeza, se alegrará; se, contrariamente, imagina que é afetado de alegria, se entristecerá” (Ética III, prop 23), Espinosa nos ensina que existem alegrias tristes, alegrar-se com a tristeza de alguém é um bom exemplo disso! Esforçamo-nos para que a coisa que odiamos seja afetada de tristeza e odiamos tudo aquilo que a afeta de alegria. Estas são apenas umas das consequências deste afeto.
Ao contrário do medo, que como afeto (bio)político paralisa; o ódio movimenta, mas por vias tortas, não como a alegria, que nos vincula com a vida. O ódio solta bestas ferozes e obedientes, instruídas para morder: “Esforça-se por afastar e destruir a coisa que odeia” (prop 13, corolário). Tristes, somos cada vez mais agressivos. Nasce a desonestidade intelectual e o interesse pelo entendimento raso. Difamamos, revidamos e fechamos os olhos para a pluralidade de posições, para a complexidade dos fatos, “A culpa é de fulano!”. Promovemos uma fé pelo unilateral e começamos a crer que tudo tem um lado só; e o nomeados de verdade. Acreditamos piamente em quem carrega nossa verdade sob os braços e a eles demonstramos nossa empatia, só a eles. Empatia seletiva é um recurso de proteção do próprio ódio, que se alia à mais profunda vontade de conservação. O ódio movimenta erupções: grandes demonstrações destrutivas sem nenhuma perspectiva de construção; a lava deixa o solo infértil.
Tristes, afirmamos cada vez menos. Tomamos gosto pela negação, o ódio tem a mesma propriedade do açúcar refinado: ele adoça e rouba o sabor. Nos afastamos da política de Espinosa, a da afirmação, a da constituição comum, baseada na alegria, na sinceridade e no amor; e vamos em direção a uma política de ódio, de negação, aquela que investe no poder e esquece-se da potência. A pergunta de Espinosa ainda é atual: o que pode um corpo? Para nós, cabe perguntar, o que pode um corpo inundado de tanto ódio? Pouco… pouquíssimo… ou quase nada.
Texto da série: Afetos (bio)Políticos

12 de março de 2016