29 de janeiro de 2016

Mensagem de Pai João de Aruanda



Originariamente, a mensagem do Pai João de Aruanda foi entregue ao canalizador Gabriel Raio Lunar através de psicofonia no dialeto dos antigos escravos, mas foi transcrita de acordo com a norma padrão da Língua Portuguesa para o emprego de ajustes gramaticais facilitadores da compreensão.

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Salve, filhos!  Salve filhos do meu coração!

Nós estamos iniciando um novo tempo, uma nova etapa do caminho de evolução da Terra. Milhares de irmãos da Fraternidade de Luz de vários outros sistemas estelares estão descendo à Terra em sua forma espiritual e auxiliando na limpeza dos mundos criados por mentes desequilibradas - aqueles que vocês conhecem como “submundos”. É um trabalho difícil, já que as forças que controlam esses planos mentais são fortes e não desejam abandonar a sua fonte de alimentação. Difícil também, porque alguns irmãos na Terra se deixam abater por algumas forças que tentam desestabilizá-los.

Lembrem-se, queridos filhos, quanto mais vocês estiverem se dedicando à Luz, mais vocês serão vistos pelo outro lado. Isso não quer dizer que correm perigo. Muito pelo contrário. Quer dizer que MAIS OPORTUNIDADES VOCÊS TÊM PARA AJUDAR, porque quando um irmão escuro vê a sua Luz e se aproxima, seja ele um capanga de um chefe negro ou uma alma penada, ele pode, rapidamente, ser envolvido na sua energia de amor. Não foi assim que Jesus fez, filhos? Envolveu a todos que chegavam até Ele. E qual a diferença de Jesus para vocês, filhos? Não venham dizer a esse velho que “Jesus era Jesus”, porque isso nós não aceitamos. Jesus era Jesus,  sim, mas Ele quer que vocês façam como Ele. Ele disse isso, não se lembram? Muitos filhos ainda se perguntam "qual a minha missão na Terra?" – Ué, filhos, não tá claro, ainda?Amai uns aos outros, fazei o bem àqueles que vos perseguem, perdoai aos vossos inimigos, tende fé em Deus e sede íntegros. É disso, filhos, é daí que tudo parte.

Nós e toda falange de Caboclos e Exus guardiões estamos em um trabalho incessante, dando apoio a essas forças espirituais de alta envergadura no processo de limpeza planetária. Por isso vocês têm visto tanto caos correndo à solta no mundo como nunca antes, queridos filhos!

Sim, no passado houve grandes confrontos entre as forças da Luz e da escuridão, mas agora, filhos, é a luta final. Agora estamos na batalha prenunciada pelos Mestres da Luz há muito tempo. Estamos na batalha alertada por nosso Senhor Jesus Cristo quando em Terra.

As forças escuras estão em maior evidência; as forças da Luz também. E isso é cada vez mais claro pra vocês, filhos! Vejam! Enquanto todos estão fazendo os seus afazeres diários, um grande movimento está acontecendo em volta de vocês. Aqueles que abrem o coração podem sentir as variações de energias os rodeando. O véu que nos separa está mais fino, filhos, muito mais fino! Muitos daqueles buracos de Luz, (portais), estão se abrindo em todos os espaços. Há muita coisa acontecendo...

Parem de perder tempo com mesquinharias, filhos, com coisas pequenas, sem importância quando algo grandioso se desenrola em volta de vocês. Não é mais tempo para lamentações e choros de canto de parede. 

Ergam-se, meus filhos! Olhem para o céu com força e fé! Avante, filhos da Nova Era! Não importa se seus familiares, amigos ou quem quer que seja não acreditam em vocês, se eles não acreditam na mensagem dos novos tempos! Não importa! Jesus deu sua mensagem e muitos não creram!

Muitos de nós, esses velhos negros antigos das senzalas africanas, da Guiné, do Congo e brasileiras, muitos estivemos lá, com o Cristo. Muitos de nós deixamos passar a oportunidade que nos foi dada naquela época, mas agora, filhos, o tempo é outro! Nós aprendemos uma lição. Aprendemos da forma mais dolorosa... E hoje, nós estamos aqui para dizer que vocês não precisam ser escravos, não precisam ser escravos de um sistema, escravos de uma força escura, escravos dos seus pensamentos! Ergam-se! O Amor está flamejante em vocês, filhos! Ergam-se pelo amor de Deus! 

O que nós, do reino de Aruanda e demais grupos espirituais que trabalham pelo progresso da terra desejamos, é que vocês possam nos ajudar colaborando com boas vibrações. Muito trabalho está sendo feito, filhos, muito trabalho. Estamos pedindo que vocês observem mais as suas atitudes como seres humanos e percebam que tudo que vocês falam e fazem tem forte influência sobre o panorama geral do planeta. Nós sabemos que vocês, como seres humanos, estão cansados e muitas vezes sobrecarregados de tantas coisas, mas nós estamos trabalhando do lado de cá para que, de alguma maneira, vocês possam ser aliviados do fardo que o submundo, às vezes, impõe a vocês. Claro! Nós não estamos trabalhando apenas para isso, mas de um modo geral o fazemos para a libertação desse planeta.

Quando vocês se encostam de canto e começam a lamentar a vida e suas tribulações, vocês dificultam, e muito, o nosso trabalho, e dificultam o seu próprio progresso como seres em expansão. Às vezes, vocês pedem o nosso auxílio e no mesmo instante lamentam: "Ó, meus queridos mentores, me ajudem! Está tudo tão ruim! É tudo tão injusto!"

Vocês têm que decidir o que vocês querem, meus filhos! Assim vocês nos deixam no meio do caminho, porque nós não podemos descer para ajudar e, ao mesmo tempo, concordar com vocês que é tudo tão ruim e injusto.

Caso se sintam confortáveis para isso, peçam ajuda assim: "Meus irmãos espirituais! Eu estou aqui e estou disposto a ajudar no que for preciso, porém enviem-me uma Luz para que eu possa expandir meus horizontes e ver de maneira que possa compreender e ajudar da melhor forma. Que Deus ilumine meus pensamentos e ações para que eles sejam apenas para o serviço da Luz". - Viram? Não tem lamentação. - É um pedido simples e empoderador, filhos! Mas claro, isso não tem que ser seguido à risca. Orem nos seus corações à sua maneira. Só não lamentem, meus filhos! Não lamentem porque vocês ficam parecendo criancinhas pedindo colo e isso não fica bem pra vocês. (Gabriel: Ouço-o dando uma risada gostosa e amorosa).

Muitas vezes, quando entram em um estado de vibração elevada, vocês são percebidos pelos senhores desses submundos e eles enviam os seus capangas para os derrubarem desses estados abençoados, e nós, aqui, filhos, estamos trabalhando para ajudar a melhorar a situação de vocês, para que vocês consigam tomar suas próprias decisões baseados apenas em seus corações e não mais influenciados por forças exteriores. Certo que esses irmãos só atuam em vocês quando vocês, de alguma maneira, dão margem para isso, mas nós sabemos o quanto é difícil se manter bem, quando se tem um mundo sombrio os rodeando e tentando os influenciar. 

Nós não estamos aqui trabalhando para salvar crianças dos seus monstros noturnos, mas para iluminar esse planeta. E enquanto trabalhamos para iluminar esse planeta, nós os ajudamos a ver que não existem monstros, porque todos eles se dissolvem quando a Luz é acesa. Nós estamos trabalhando, filhos, para que o mundo seja iluminado, mas ainda poderão existir aqueles que desejam continuar acreditando em monstros. Se esse velho dissesse que estamos trabalhando para salvar vocês dos monstros, estaria dizendo que eles existem, mas eles não existem. Acenda a Luz e veja. Deixa de ser medroso e melindroso!

Força, filhos! Força, meus amados! O tempo de mudança é chegado para todos vocês e também para nós do reino de Aruanda e demais. É um grande avanço no seu caminho espiritual.

Muitos ainda duvidam das nossas palavras. Muitos que agora leem nossas palavras são, de certa maneira, céticos quanto à mudança que está se desenrolando. Mas não esqueçam, filhos, que essas mudanças foram previstas por grandes mestres que desceram na Terra e vestiram a carne. E vocês agora estão sendo testemunhas de que as profecias estão se cumprindo. Vocês, acima de tudo, deveriam se alegrar, porque profecias de destruição do planeta Terra foram eliminadas e não mais poderão se cumprir, uma vez que os trabalhadores de Cristo transformaram essas profecias desastrosas em amor e Luz!

Salve, filhos! Salve a sua força! Salve a força da Terra e dos seus sagrados guerreiros Orixás! Salve a força do homem, da mata, das cachoeiras, dos ventos e mares! Salve em Deus! Salve!

Somos tantos os mentores que estamos do lado de vocês os apoiando nesse caminho, filhos! Não esqueçam que esses pretos velhos já estiveram na sua condição humana de ser. Nós sabemos. E podemos orientá-los ao caminho do coração, pois ali vocês encontrarão as brechas e trilhas iluminadas para caminhar apesar da escuridão que tenta dominar o mundo, em meio às suas últimas forças, ao verem que o progresso não pode ser parado, pois tudo na criação de Deus Pai todo Poderoso é contínuo. Esses irmãos que carregam a tocha escura sabem que precisam deixar esse mundo e ir para outros espaços, onde as suas naturezas, ainda que temporárias, sejam lapidadas para que possam voltar ao estado de plenitude divina.

São tantas as palavras que esse velho gostaria de compartilhar com vocês, meus queridos filhos! Estou rodeado aqui de muitos pretos velhos enquanto transmito esse recado a esse jovem rapaz para que este o transmita-lhes também.

É muito amor que sentimos por todos vocês, queridos filhos da Luz. Ajudem-nos no que tange a iluminar esse mundo com boas ações. Pensem sempre mil vezes antes de tomar atitudes agressivas e desempoderadoras. Ajudem seus irmãos nesse caminho com os seus exemplos, meus filhos, ajudem! Nós estamos fazendo nossa parte. Nós estamos vendo quantidades inimagináveis de irmãos estelares baixando na atmosfera da Terra e adentrando nos planos espirituais da existência terrena e promovendo uma limpeza linda das zonas sombrias deste orbe terrestre. O que nós pedimos é apenas que se juntem a nós. Juntem-se a nós com suas armaduras de Luz e amor, meus filhos!

Nossas palavras agora são carregadas de amor e as enviamos na esperança que toque os seus corações. Não pelas palavras que ditamos aqui, porque nós sabemos que muitos de vocês já as ouviram de várias outras fontes, mas era uma oportunidade que tivemos de vir deixar o nosso amor e em meio às palavras, e o deixamos!

Que a radiação desse povo bendito de Aruanda abençoe a todos vocês neste caminho, filhos! Que vocês possam ter a saúde e as bênçãos dos céus sobre vocês! Que possam ter abundância e alegria neste caminho e sempre, sem dúvida, a nossa amizade e amor sinceros. Nós amamos vocês, filhos! Alegrem-se! O tempo é chegado e não ficará um grão de areia dessa terra de Deus que não seja iluminado pela Luz que vem do coração de Deus!

Que nosso senhor Jesus Cristo os abençoe, filhos! Que as forças dos grandes Orixás os guiem! Que a Irmandade Estelar esteja sempre a protegê-los e a orientá-los sobre a sua estada em Terra e que nós, esses velhos contemporâneos possamos sempre ter abertura para chegar a vocês, trazendo-lhes uma fagulha de Luz e amor e lembrando que vocês são trabalhadores da Luz do Cristo Jesus e todos nós, como uma grande família, estamos vencendo as trevas que, por tanto tempo, dominaram a Terra. Mas que agora se vão! Se vão para nunca mais tornarem a voltar.

Salve a sua força, Filho da Luz!

Salve os Pretos Velhos!

Salve Pai João de Aruanda, em Cristo Jesus.

Gabriel: Grato meu pai velho, querido!

Fonte: Sementes das Estrelas
Veja mais canalizações minhas Aqui
Revisão de Texto: Luis Fernando Rostworowski e Solange Yabushita

20 de janeiro de 2016

Sri Prem Baba

Essa bateu demais com o momento presente. Impressionante a percepção apurada que o querido mestre tem do amor. Iluminação.



Flor do dia 20/01/2016

“É preciso ter coragem para sustentar o êxtase na relação, o que significa sustentar o coração aberto enquanto o outro também está aberto. A conexão da energia sexual com o coração pode causar medo, pois ela gera uma poderosa onda de luz e, estando identificado com a sombra (com os círculos viciosos do sofrimento), você teme ser tocado pela luz. A escuridão é somente ausência de luz. Se você acredita ser a escuridão, quando a luz surge, você teme ser aniquilado.”

Sri Prem Baba

4 de janeiro de 2016

O AMOR NO TERCEIRO MILÊNIO

SOBRE ESTAR SOZINHO

por Flávio Gikovate





Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início desde milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossas infelicidades, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso – o que é muito diferente.

Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa alguma. É apenas um companheiro de viagem.

O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria, ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.

A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.


O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem de aprender a perdoar a si mesmo…


“A pior solidão é aquela que se sente quando acompanhado”

6 de dezembro de 2015

Somos Anormais?

por RAYMUND ANDREA, FRC*



Os "amigos" do Mestre disseram: "Ele está fora de si";
São Paulo foi declarado "louco" pelo tribunal superior.



Folheando recentemente um relatório, feito por um eminente cientista médico e psiquiatra, sobre as causas das personalidades anormais, homens e mulheres que se distinguiram nas artes e nas ciências, cujos trabalhos e feitos deixaram uma impressão indelével na história mundial, uma interessante especulação se apresentou: seria a anormalidade uma necessária concomitância da evolução da consciência?

Posto que estamos nos dedicando, de modo especial e para todos os efeitos práticos, à ciência da evolução da consciência, será interessante perseguir essa especulação. A questão de se existe ou não certas anormalidades que acompanham essa evolução tem sido objeto de controvérsia entre muitos e ridicularizada por não poucos, de modo que nossas reflexões podem, incidentalmente, produzir algumas francas expressões de opinião e de experiência pessoal que levarão a dados valiosos.

Foram-se os dias, esperamos, em que se faziam perseguições a indivíduos que professassem coisas consideradas como visões peculiares, que proclamavam incautamente a posse de visão incomum ou exerciam poderes sobrenaturais  diante de um público cético e intolerante. Esses dias, porém, não acabaram de todo. Observe o que diz um eminente escritor:

    "Estamos presentemente tão aguilhoados por tradições ligadas à religião, à lei, à ciência e ao trabalho, que um código artificial de restrição e de proibição tornou-se imposto às nossas personalidades, a tal ponto que, para continuarmos livres, forçosamente temos que não apenas nos abster de nos expressar, mas adotar, ponderadamente, uma atitude artificial de hipocrisia, que em vez de conduzir para a luz é manifestamente falsa e subversiva"

Essa é uma grave acusação contra as autoridades dirigentes e sua severidade é bem merecida. Não faz muito tempo que recebi uma carta em que o escritor, referindo à sua experiência de Consciência Cósmica e sua relutância em falar disto, diz que conheceu um homem que tinha vivenciado o Samadhi e escapou por pouco de ser confinado num sanatório, porque contou essa experiência para seus amigos. Um lamentável estado de coisa, e o alerta é digno de nota. 
O mundo em geral é um pouco mais tolerante nessas questões hoje do que há cinquenta anos. Não é preciso nenhuma classificação; isso é amplamente corroborado por esse mesmo escritor, um dos maiores médicos e psicólogos em sua área.

            " Nesse estágio de nossa evolução, a tendência da humanidade deve ser a de que a tradição ceda lugar ao conhecimento e que o conhecimento ceda lugar à moderação e a uma tolerância mais completa. Viver e deixar viver, conhecer e deixar conhecer, ter e deixar ter, fazer e deixar fazer, todas estas coisas são excelentes guias, embora o verdadeiro mapa para a evolução da humanidade é ser e deixar ser."

Samadhi, etapa da Yoga onde se atinge a suspensão e compreensão da existência, bem como a comunhão com o universo.


A atitude da imprensa mudou um pouco, é bem verdade, ao longo dos últimos dez anos, e agora condescende em relatar sem criticismo o que são considerados casos autênticos de acontecimentos psíquicos e experiências de caráter psíquico. Alguns jornais agora oferecem prêmios aos seus leitores pela narrativa mais impressionante de experiências pessoais dessa natureza, enquanto outros solicitam depoimentos pessoais para a verdade da reencarnação. Até mesmo um cientista, aqui e ali, está se tornando invulgarmente arrojado e caridoso também. 

Um artigo de um professor inglês foi publicado recentemente num jornal popular, no qual ele escreveu:

" Os antigos alquimistas tentavam fazer chumbo virar ouro e, por gerações, foram um bando de cientistas escarnecidos. Agora, entretanto, estamos começando a pensar que, embora seus métodos pudessem ser crus, a ideia deles era razoável."

Se esse professor foi ou não relegado automaticamente por seus pares à categoria dos anormais, isto é uma questão para conjetura.


Deixe-me citar mais um trecho, antes de seguir adiante.


"A principal diferença entre o indivíduo são e muitos dos insanos é que nestes últimos há perda de controle sobre os vínculos de convenções hipócritas e artificiais, perda esta que os coloca em desarmonia com os seus camaradas espertamente mais reservados. Assim, temos o curioso fato de que, quando um indivíduo acredita na palavra do pastor e afirma, com toda franqueza, que acredita que sua alma está perdida ou que ele está em perigo de danação eterna, ele é certificado como insano e relegado a um sanatório. Se ele se alça à região da filosofia, da ciência, da estética ou da conjetura, é visto como um excêntrico; e se é extravagante, inconvencional ou anormal em seu comportamento, ele é ridicularizado pela comunidade, sem consideração ao fato de que talvez ele seja temente a Deus, obediente à lei, trabalhador e um ser humano responsável."


"Essas são apenas algumas das algemas da chamada civilização e, desnecessário dizer, essa tendência, em si, é não somente subversiva, como também explanatória do fato de que muitos gênios do mundo tiveram de ir para sanatórios em busca de proteção contra a intolerância demonstrada por seus semelhantes. Que tais portos de refúgio existam para aqueles que recebem inspirações negadas à maioria é, sem dúvida, algo benéfico, enquanto o público continuar a ridicularizá-los. Seria mais sensato, no entanto, ficar mais atento a tipos como Tom o'Bedlam que deturpam as inspirações e logram o público com suas imitações espúrias. Se a religião, a arte, a ciência e a indústria se tornassem mais tolerantes para com as inspirações e aspirações dos outros, o resultado seria uma considerável redução no número dos que têm de buscar proteção contra as interferências, as restrições e as proibições delas."


Se isso são fatos - e quem pode questioná-los? -, eles mostram indubitavelmente uma forte justificativa para o trabalho ativo em muitos setores de pesquisa em que nós, como Rosacruzes, pusemos nossas mãos. Eles nos justificam na continuação destemida de nossos estudos e na ação direta no serviço ao mundo com imperturbável vigor, com total indiferença e oposição à atitude e às opiniões de dignitários de toda e qualquer base de autoridade.

O que me induziu, particularmente, a tratar desse assunto em relação a nós foi o comentário de um membro encarregado de um grupo. Disseram-lhe que nossos estudos têm uma provável tendência a marcar nossa gente como esquisita ou excêntrica, ou seja, anormal. A réplica foi que nada do tipo deveria transpirar, mas, pelo contrário, dando atenção também à evolução da personalidade interior, ao invés de exclusivamente, como até aqui, ao eu individual, a pessoa deve se tornar, em todos os sentidos, mais normal e ser capaz de funcionar de maneira sã e efetiva tanto no plano objetivo quanto no plano psíquico Divino.

Certamente, sua normalidade consiste em - e só é totalmente assegurada por - esse desenvolvimento paralelo e equivalente. O questionamento que surge nessa questão apenas prova claramente quão comparativamente poucos entre nós se preocupam com esse desenvolvimento dual; e nossa crescente normalidade pela dedicação ao cultivo da alma é vista pela maioria como um desejo de equilíbrio, uma arriscada condição que merece o aspecto derrisório e o ímpeto difamador.

O membro a que me referi é, ele próprio, um dos muitos exemplos de crescente normalidade pelo cultivo da alma. Em muitas ocasiões, ele me disse que nunca poderia ter feito esse ou aquele trabalho bem-feito e preciso, caso apenas o eu individual fosse requisitado; que foram o novo conhecimento e a nova força derivados desse cultivo, como resultado de uma familiaridade mais profunda com a personalidade interior, que garantiram a coesão e equilíbrio de forças um tanto ou  quanto opositoras e o capacitaram a servir aos seus semelhantes de um modo impossível antes dele abraçar esse cultivo.

Não precisamos de nenhuma outra garantia de normalidade crescente do que o fato de podermos ser mais compreensiva e eficientemente úteis no serviço ao mundo através do estudo e da prática dos princípios rosacruzes, em vez de  escolhermos permanecer convencionalmente normais e ignorantes da profundidade e da essencialidade de nossa natureza Divina.

É demonstrável que quanto mais íntimos nos tornamos da ação e da inspiração dessa personalidade interior, mais notável é a facilidade que se pode observar nos membros do organismo objetivo, ao longo de todas as linhas de adequação e uso no plano material. Se de algum modo isso não acontece, a causa deve ser procurada ou no fato da pessoa não ter ido longe o bastante em seus estudos e em sua compreensão da ciência que ela adotou, ou no fato de, por assim dizer, ter tentado ir além daquilo que podia; ela se empenhou além daquilo que seu ponto específico de evolução justifica e há tensão ou pressão que resulta num desajuste temporário, com uma consequente emergência ligeiramente errática. Nos dois casos, as causas são apenas temporárias.

No primeiro caso, um progresso maior na ciência desenvolverá uma segura e valiosa lucidez; no segundo, um refreamento da impaciência, por meio de desenvolvimento específico e maior confiança na natureza do método de avanço gradual e metódico, regulará devidamente os processos de expressão e erradicará quaisquer tendências possíveis de críticas.

Obviamente, falo mais para o neófito do que para o estudante adiantado na Senda. Este último há muito tempo resolveu essa questão para si mesmo e não é perturbado pelos pontos de vista ou pelas insinuações do ignorante. Ele sabe que quem quer que vá contra a corrente da opinião geral terá sua sanidade questionada em algum momento. Ele sabe, por experiência própria, que existe na alma despertante algo de natureza tão poderosa que até mesmo seus críticos acham difícil acreditar em suas próprias mentiras. Do mesmo modo, eles podem criticar a glória inesperada que flui do céu noturno e acusar a natureza de extravagância anormal.

A divindade da alma, através das influências benignas e libertadoras da natureza espiritual, tem a qualidade do inesperado daquela singular e gloriosa expressividade que pertence à natureza; quando vêm aqueles momentos em que uma nova palavra é comunicada e uma ação realizada, é hora de os homens de reputação científica e tecnológica verdadeiramente anormal fazerem recuar os mais convencionalistas.

A alma não dará a eles mais atenção do que a natureza dá às folhas mortas do outono. Eles quebram a cabeça e consultam os livros didáticos para nada. A palavra foi dita e a obra foi feita. A inspiração se espalhou pela terra e passou como luz nas almas viventes que estavam à sua espera e precisavam de um novo ímpeto em sua fé. O homem avançado sabe disso e é indiferente aos gritos da maioria dita "sã".

A questão, porém, não é tão fácil para o neófito. Não é fácil para ele sentir-se um tanto fora de si quando, em seu círculo imediato, em casa ou fora dela, ele é objeto de patético escrutínio e alvo da língua alheia. Conheci casos em que nossos estudantes foram compelidos a ir furtivamente para sua comunhão com Deus, como se estivessem evitando ser descobertos pelo cometimento de um crime. É alguma surpresa que eles corram o risco de serem considerados anormais?

Conheci esposas submetidas à amarga invectiva e perseguição de seus maridos, por terem descoberto no cultivo da alma a única coisa que tornava a vida tolerável para elas. Julgue, entre os dois, onde a normalidade está. Essa é uma das maiores indignidades que podem ser infligidas à natureza humana indefesa.

A origem do criticismo que muitos neófitos experimentam nesse caminho, proveniente dos que os cercam, pode ser encontrada neste profundo axioma que foi muitas vezes enunciado na literatura oculta: se uma atenção concentrada é direcionada para a alma  e se persiste num curso de ação mais elevado, algo com a natureza de uma revolução psíquica na personalidade do homem transpira e reage, mais ou menos poderosamente, segundo sua força e habilidade inatas, sobre a inteira concatenação de suas circunstâncias e de seus relacionamentos. Se ele é ardoroso e decidido, a vida da sua alma atua com dramática pressão sobre suas idéias e ações enraizadas, e um rápido reajuste torna-se imperativo.

Isso é tão natural e insistente que ele mal percebe quão marcante a mudança nele parece para os outros. Mas a encruzilhada foi atingida e uma escolha tem de ser feita. O problema agora não está simplesmente na aceitação mental de um novo ponto de partida na vida que lhe concerne pessoalmente, como alguém que pode nutrir uma opinião contrária de seus amigos sobre uma questão de arte ou política e nada dizer sobre isto: não, a alma sob cultivo espiritual afeta toda a personalidade do homem vivo e atuante em sua relação com os outros, e se eles não tiverem uma mente aberta o bastante para dar uma correta interpretação aos valores alterados dele, darão, obviamente, uma errada.

E nos contatos gerais da vida diária, a interpretação errada será a mais comum. Pois, por mais eficiente que o neófito encubra de silêncio o seu colóquio com o divino, os efeitos desse colóquio se imprimirão nele para serem lidos por todos. O medo que o assalta é de que, se persistir em seu caminho, tenha de perder amizades e simpatias que até então significam muito para ele.

Falo compreensivamente dessas coisas porque eu próprio as vivi; e sei que não há uma só abertura que seja para concessões em relação a elas. Lembro-me quando, no limiar da vida adulta, abracei a vida oculta com total aceitação e vivi todas as consequências adversas em meu ambiente ao fazer isto. Todos os fluxos da vida dirigiram-se para o alto, como que por inspiração predestinada, e as reações externas foram tão críticas e inquietantes quanto foi definitiva e inalterável a reconstrução interna.

E ao jovem aspirante que está enfrentando contingências similares, digo isto: acho difícil de imaginar como que alguém que experimentou o chamado decisivo do espírito dentro de si possa retardar ou retroceder ao nível morto do eu puramente mental, devido a qualquer criticismo ou desconforto temporário que ele possa encontrar na perspectiva de segui-lo. Isso significaria perder deliberadamente o mais rico ganho que uma encarnação pode propiciar, qualquer que seja o valor que ele atribua às coisas que teme perder.

O chamado da alma despertante nunca vem por acaso; vem quando o indivíduo está realmente pronto e apto a dar um passo à frente na evolução, um passo normal e necessário, decretado pelo Carma. Ele pode duvidar um pouco de sua prontidão e habilidade, de tempos em tempos, quando as coisas externas são hostis e ameaçadoras; mas o chamado é um aviso inequívoco de que um ponto crítico foi alcançado na vida individual; e sem parecer estar pressionando demais, peço ao aspirante que podere sobre a gravidade da perda para si mesmo, a longo prazo, se, por quaisquer considerações pessoais quanto as opiniões dos outros, ele se recusar a aprovar com toda liberdade possível nas circunstâncias resultantes, a indução intuicionante que o instiga a trilhar a Senda.

Será útil lembrar-se que os evolucionistas espirituais são uma minoria comparativamente pequena e, provavelmente, assim continuarão por algum tempo ainda. Ele não tem apenas que contender com as diferenças pessoais resultantes da educação de seus poderes para propósitos superiores; existem forças opostas ao seu redor e, portanto, ele não deverá ficar surpreso nem facilmente intimidado pelas correntes antagônicas que muitas vezes - e ele mal sabe dizer como - parecem combatê-lo.

Esse fato sempre foi salientado por membros nos estágios iniciais da Senda, mas um encorajamento adequado e o transcurso do tempo conduzem-no a uma certeza mais profunda e uma força maior para fazer face à oposição circundante. Alguns desses membros concordarão comigo quando digo que um dos testes mais duros que eles têm de enfrentar é a consciência da solidão em seus estudos, em suas respectivas circunstâncias. Eles estão conscientes de estarem ficando, em muitos aspectos, cada dia mais radicalmente diferentes daqueles com os quais convivem, e não há ninguém a sua volta com quem possam se expressar.

É assim mesmo; e em algumas circunstâncias, isso é inevitável, mas apenas por algum tempo. À medida que o conhecimento aumenta e o aspirante responde a ele, oportunidades de servir se apresentam e aquilo que não pode ser comunicado em palavras será poderosamente expresso em ação. É a ação correta, não importa quão incomum possa ser em caráter, que irá desmanchar todas as pequenas aparências de anormalidade e peculiaridade, que o não iluminado tanto gosta de assinalar.

Por último devemos mencionar que não precisamos de investigadores médicos ou científicos avançados para nos assegurar que, afinal de contas, não somos anormais por nos esforçarmos em seguir o Mestre, de maneira compreensiva e científica, e fazer as tarefas que Ele fez. Há muito tempo, damos a eles um exemplo que, embora relutantemente, estão começando a imitar. Também não há nenhuma egomania implícita nessa asserção. Como diz o autor:

"Notamos que a humanidade está subindo gradualmente a escada de uma evolução emergente rumo à autorrealização, uma realização do eu, porém como parte integrante de um todo maior. A egomania implica crença no eu como 'o grande único', ao passo que a autorrealização significa evolução."

 Obviamente, a egomania tem estado no outro lado, não no nosso. E somos profundamente gratos pela concessão liberal que ele nos faz, ao dizer que "uma filosofia do infinito está, porém, longe de ser uma fonte de aberração do pensamento, terminando em verdadeira insanidade". Nada mais há a se acrescentar sobre a questão da anormalidade. Não concluí, entretanto, a questão da crítica em relação ao neófito e pretendo lidar especificamente com isto num artigo posterior. 

* Extraído da edição de junho de 1930 da revista Rosicrucian Digest.


18 de outubro de 2015

Os quatro inimigos do homem de conhecimento







O antropólogo Carlos Castañeda escreveu doze livros contando sua saga e seu aprendizado com o brujo Don Juan no México. O primeiro desses livros, conhecido no Brasil como A Erva do Diabo, é o mais conhecido. O título original da obra é “The Teachings of Don Juan”. Em português seria “Os Ensinamentos de Don Juan” se o título original fosse respeitado e não houvesse uma distorção para fins mercadológicos.
Nesse livro, que marca o início do aprendizado de CastañedaDon Juan lhe diz que o homem possui quatro inimigos que deve saber enfrentar para tornar-se um guerreiro, um homem de conhecimento. Esses inimigos são: o medo, a clareza, o poder e a velhice. Nesse texto, tentarei apresentar uma interpretação própria desses ensinamentos. Ao mesmo tempo que busco coerência com a obra original, pretendo mostrar o que entendo sobre esses inimigos, tomando a liberdade de apresentar a apropriação que fiz desses conceitos.
O primeiro dos inimigos é o medo. Toda vez que buscamos um novo caminho de crescimento, ele aparece para nos testar. Há medos de toda ordem e algumas vezes ele chega a se tornar um pavor, um desespero. Um formidável inimigo que pode tornar-se um grande aliado: se não temos medo, nos tornamos pessoas irresponsáveis; se ele paralisa a nossa busca, nos tornamos covardes. Entendo que o medo é constitutivo da vida humana e temos que caminhar, mesmo sentindo medo. Ele pode ser controlado e exige coragem, mas nos transforma em pessoas alertas: guerreiros sempre à espreita.
Muitas pessoas deixam de viver, de lutar pelo que acreditam, de crescer como indivíduos porque o medo as paralisa, não as deixa seguir em frente. Medo do que vai acontecer no futuro, medo de se machucar, medo de se arrepender, medo de sofrer, medo de experimentar, medo de buscar novos horizontes, medo do que os outros vão pensar: medo de viver! E o medo faz elas ficarem na inércia, na repetição, no caminho do comodismo, no conforto do que sempre foi. Mas isso não é crescimento, é estagnação. Para crescermos, temos que ter consciência do medo, saber que ele existe, que ele pode ser vencido, agir com coragem, seguir em frente diante da incerteza e torná-lo um excelente aliado!
Se conseguimos vencer nosso primeiro aliado, chega o segundo: a clareza. Aqueles que foram vitoriosos em sua luta contra o medo, acabam sentindo, vendo, percebendo, pensando e agindo com uma clareza muito maior. A maioria ficou no seu casulo paralisada pelo medo, aqueles que enfrentaram conseguem a clareza: o dom de ver aquilo que a maioria não ve, já que o medo as impediu de sair do lugar comum, do senso comum. Mas a clareza também tem seus perigos e muitos sucumbem.
Não é uma tarefa fácil lidar com a clareza em um mundo de cegos. Ver aquilo que outros não vêem é um desafio a ser enfrentado com serenidade e coragem. A sensação de isolamento é forte, um grande desafio a ser superado.
O que se pode ver com a clareza ninguém quer ver ou não consegue; o que outros vêem como verdade é apenas uma ilusão para quem tem a clareza. Muitos se assustam com o que vêem e outros começam a crer que são seres superiores por ter algo que a maioria não tem. Alguns se perdem em sua vaidade; outros não suportam o que vêem e perdem o equilíbrio mental; outros desistem de enxergar por sua visão parecer insuportável. Se há o dom para ver os Céus, com ele vem a visão das sombras. E muitos preferem não ver mais, são vencidos pela clareza ou pelo medo: os inimigos andam juntos.
Mas a clareza também pode ser utilizada como um poderoso aliado. Com firmeza, determinação e equilíbrio, podemos viver na loucura controlada. Saber que muito do que é considerado verdade é apenas uma loucura, uma construção histórica que em breve irá desabar também. E tentando ajudar nossos semelhantes a ter clareza também: para ter a visão que possibilite manter e ampliar o que é da Vida e lutar contra o que é da morte. Saber que quase tudo é uma loucura, mas manter a serenidade perante essa loucura.
Quando se vence o medo e a clareza, surge o terceiro inimigo: o poder. Com a capacidade de controlar o medo e com a poderosa visão que a clareza proporciona, naturalmente se adquire poder. A capacidade de influenciar outras pessoas, de transformar estruturas, de atingir objetivos com facilidade, de obter percepções extra-sensoriais, de mobilizar e canalizar intensas energias. E o poder é sedutor, um inimigo perigoso, tamanha sua força.
Depois de ter vencido o medo, conseguido a clareza e obtido poder, começam as tentações e testes. E muitos sucumbem. Ao invés do poder ser utilizado para abrir caminhos para a evolução humana e da sociedade, torna-se uma habilidade usada exclusivamente para proveito próprio, para satisfazer o ego. Surge a falsa necessidade de comandar, de ser um líder insubstituível, de ter a certeza sempre, de ter súditos e admiradores, de colocar as pessoas e processos sob controle pessoal. E esse processo nunca cessa: é preciso cada vez mais poder para se manter no poder.
E as pessoas se tornam escravos do poder, se perdem em seu ego e se tornam pessoas frágeis. Pessoas que externamente podem até ser vistas como poderosas, mas são crianças profissionais: brincam com a vida alheia sem responsabilidade, sem ter consciência de que os fantoches são eles. Na primeira decepção ou quando enfrentam um adversário de valor, colocam a culpa no mundo pela sua própria fraqueza: o poder sugou toda sua energia.
Esquecem que cada caminho é apenas um caminho e que cada um deve buscá-lo dentro de si, nos seus corações. Pode-se até auxiliar outras pessoas, mas ninguém tem autoridade para dizer para alguém qual é o melhor caminho a ser seguido. Isso cada um deve descobrir por si. O poder é realmente tentador e muitos sucumbem, talvez na classe política isso seja mais evidente, mas isso acontece em todas esferas da vida humana.
Só que o poder também pode ser utilizado como um aliado. Essa capacidade e esse brilho que o poder traz podem ser canalizados para o Espírito, pode-se agir de acordo com o Coração, pode-se colocar como um instrumento das Forças da Vida. Pode-se utilizar essa capacidade para construir um mundo melhor para todos, para transformar positivamente a vida dos que cruzam nosso caminho, ajudar as pessoas acender o próprio fogo interior, a transformar as estruturas da repetição, a criar a Diferença.
Enfim, pode-se usar o poder para quebrar os processos de reprodução desse descalabro social e ambiental: creio que é esse o desafio para quem adquiriu e está adquirindo poder. Um enorme desafio e que não se resolve de uma vez, é sempre um caminho, mas um caminho ao mesmo tempo individual e coletivo, um caminho com o coração, uma busca pela impecabilidade. É a ânsia pela perfeição, pela justiça, pela verdade. E isso se reflete em atos cotidianos, não apenas em grandes obras!
Por fim, há um inimigo que não pode ser vencido: a velhice. Todos, uma hora ou outra, sentirão suas marcas. Na verdade, podemos interpretar a vida como um processo de envelhecimento constante: de bebês à crianças, de crianças a adolescentes, de adolescentes a jovens adultos, de jovens adultos a jovens de meia-idade, da meia-idade à terceira idade. A velhice é o maior inimigo do homem, vai atingir os que sucumbiram ao medo, mas também aos que não sucumbiram; vai atingir os que se amedrontaram perante a clareza, mas também aos que conseguiram suportar a visão; vai atingir aos que adquiriram poder para o coletivo, mas também aos que se seduziram por suas falsas promessas.
Só que a velhice, que vai aos poucos limitando nosso corpo físico, traz a sabedoria caso seja enfrentada com dignidade. E isso dependerá de toda uma vida: que caminho escolhemos, quem escolhemos para caminhar ao lado, que decisões tomamos, de quem nos afastamos e de quem nos aproximamos, como cuidamos do nosso corpo, do nosso espírito e da nossa mente. É um novo desabrochar e não uma decadência. O que não podemos é deixar nosso espírito envelhecer: ele é eterno!
Podemos envelhecer com dignidade e acho que o melhor modo de fazer isso é disseminar sementes: para que as futuras gerações e os mais novos possam ter modelos em que se apoiarem, com base em belas palavras e ações que só a experiência ensina. Enfim, construir uma trajetória nesse planeta que não seja apenas sobrevivência e voltada para o próprio umbigo, mas construir uma vida que seja uma verdadeira obra de arte: uma busca por uma conduta impecável, um foco claro em iluminar a escuridão! E para isso não há um caminho pronto nem fórmulas pré-estabelecidas, há tantos caminhos quanto existem corações, cada um deve achar o seu.

(por Dr. Flávio Gikovate )
(Arte: “Castaneda” por Rose Feldtown)